Você fez a toxina botulínica, gostou do resultado e, algumas semanas depois, percebeu que a testa voltou a se mexer. Isso significa que o procedimento já perdeu o efeito? Nem sempre. O retorno de algum movimento e a volta completa das rugas são coisas diferentes.
Como a toxina botulínica funciona?
Botox é uma marca de toxina botulínica. O tratamento reduz temporariamente a comunicação entre o nervo e o músculo, diminuindo a contração que forma determinadas rugas de expressão. Ele não preenche a pele nem corrige, sozinho, todas as causas do envelhecimento.
Por que a duração varia?
O efeito costuma durar cerca de três a quatro meses, com pico em 30 dias e com variações individuais. A dose, a região tratada, a intensidade da contração muscular e o objetivo do planejamento interferem na percepção da duração. Uma aplicação que preserva mais movimento pode ser percebida de maneira diferente de uma aplicação mais “intensa”.
Também é importante distinguir uma ruga que aparece ao movimentar o rosto de uma linha já marcada na pele em repouso. Nesse segundo caso, a toxina pode suavizar a contração sem apagar completamente a marca. Ou rugas de flacidez de pele, que neste caso precisamos estimular o colágeno da região.
E atenção, toxina botulínica é uma medicação segura e médica, por isso deve ser aplicado por um dermatologista para evitar complicações.
O que fazer quando parece durar pouco?
O primeiro passo é comparar fotografias e avaliar como o músculo respondeu desde a aplicação. O médico pode revisar a dose, a distribuição dos pontos e a necessidade de tratar outras alterações da pele. Quando há rugas estáticas, procedimentos como laser podem ser considerados, conforme o caso. Skinbooster, bioestimuladores de colágeno, ultrassom microfocado e radiofrequência monopolar também podem ser associados para estímulo de colágeno.
Resistência à toxina existe, é extremamente raro, mas não deve ser a primeira explicação para qualquer resultado insatisfatório. Antes disso, é preciso analisar a técnica, o produto e o histórico de aplicações.
Quando repetir?
A manutenção deve acompanhar a avaliação clínica e o intervalo mínimo adequado ao produto de 3 meses entre as sessões (2 a 3 meses ao ano) , evitando retoques sucessivos sem indicação. Aumentar a dose ou encurtar o intervalo por conta própria não é uma solução segura.
Se o seu botox parece ter durado pouco, leve as datas e as fotos das aplicações à consulta. Entender o que mudou ajuda a planejar o próximo tratamento com mais precisão.
Para avaliar as opções adequadas ao seu caso, agende uma consulta dermatológica.
Dr. Pedro Secchin — Dermatologista | CRM-SP 195965 | RQE 73850
Referências
American Academy of Dermatology — Botulinum toxin therapy: FAQs
A review of the longevity of effect of botulinum toxin in wrinkle treatments