Dr. Pedro Secchin | CRM SP: 195965 | RQE: 73850

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“Rosto de Ozempic”: por que o rosto muda após emagrecer e quais tratamentos podem ajudar?

O peso diminui, as roupas mudam e, ao olhar no espelho, você percebe um rosto mais fundo ou com aparência cansada. A expressão “rosto de Ozempic” se popularizou para descrever essas mudanças. Mas ela não é um diagnóstico e pode dar a impressão de que o problema pertence exclusivamente a um medicamento.

É o Ozempic ou o emagrecimento?

Uma perda significativa de peso pode reduzir a gordura facial e tornar mais evidentes alterações que já existiam na pele e nos tecidos de suporte. Isso também acontece após cirurgia bariátrica e outras formas de emagrecimento.

Ainda se investigam possíveis efeitos específicos dos medicamentos nos diferentes tecidos. Até o momento, não é adequado afirmar que a semaglutida “derrete o colágeno” nem atribuir toda mudança facial a uma toxicidade direta.

A quantidade de peso perdida, a idade, a distribuição prévia de gordura e a capacidade de adaptação da pele ajudam a explicar por que as pessoas mudam de maneiras diferentes.

Quais mudanças podem aparecer?

Algumas pessoas notam têmporas e bochechas mais fundas. Outras percebem sulcos mais marcados, piora do contorno ou pele com aspecto mais frouxo. Uma mesma pessoa pode ter perda de volume em uma região e excesso relativo de pele em outra.

Por isso, tentar “levantar tudo” com preenchimento pode aumentar o rosto sem tratar adequadamente a flacidez.

Quando usar bioestimuladores?

Sculptra e Radiesse podem ser considerados para determinadas alterações de firmeza e qualidade dos tecidos. Eles têm mecanismos distintos e devem ser escolhidos conforme a região e o objetivo.

O efeito é gradual. Não se deve prometer que o bioestimulador vá impedir todas as mudanças do emagrecimento ou devolver, sozinho, a estrutura anterior.

Quando o ácido hialurônico ajuda?

Pode ser útil para perdas localizadas de volume ou projeção. O planejamento deve identificar onde uma reposição faz diferença, usando quantidades compatíveis com as proporções do rosto.

Em quem já tem preenchimentos antigos, o histórico e o exame são especialmente importantes. Acrescentar produto sem saber o que já existe pode gerar excessos.

E as tecnologias, como ultrassom e laser?

Ultrassom microfocado pode ser considerado para flacidez leve a moderada em áreas selecionadas. Em um rosto que já perdeu gordura, é essencial respeitar profundidades, parâmetros e regiões que não devem perder mais volume.

Lasers, como CO₂ e Erbium, podem ter papel em rugas marcadas e alterações de textura. Eles não substituem a reposição de volume quando esse é o problema principal. Radiofrequência também pode entrar em indicações específicas, com avaliação dos benefícios, riscos e características do equipamento.

Não existe uma lista de aparelhos que todo paciente precise fazer.

Quando a cirurgia pode ser mais adequada?

Se há excesso relevante de pele ou queda importante dos tecidos, os limites dos procedimentos de consultório precisam ser reconhecidos. A avaliação cirúrgica pode oferecer uma resposta mais compatível com a alteração estrutural.

A escolha do momento depende da evolução do peso e das condições clínicas. Acompanhar o emagrecimento e planejar gradualmente costuma ser mais útil do que tentar corrigir cada mudança imediatamente.

Como começar?

O primeiro passo é separar perda de volume, flacidez e alterações da superfície da pele. Nutrição adequada e treino de força ajudam no cuidado global e na preservação de massa muscular, mas não garantem evitar mudanças faciais.

A literatura sobre tratamentos específicos após GLP-1 ainda está em desenvolvimento. Não há um procedimento obrigatório nem um protocolo comprovado para todos. A proposta é tratar o que incomoda, com naturalidade, sem comprometer os benefícios do cuidado da saúde.

Para avaliar as mudanças do seu rosto e as possibilidades de tratamento, agende uma consulta dermatológica.

Dr. Pedro Secchin — Dermatologista | CRM-SP 195965 | RQE 73850

Referências e base científica

Frank K et al. GLP-1-Induced Weight Loss and the Face: Anatomical Mechanisms and Rationale for Collagen-Stimulating and Volumizing Aesthetic Treatments. Dermatol Surg. 2026;52(6S):S55–S60. Revisão narrativa; fundamenta o raciocínio anatômico, sem estabelecer um protocolo universal.

“Ozempic Face” in Plastic Surgery: A Systematic Review of the Literature on GLP-1 Receptor Agonist Mediated Weight Loss and Analysis of Public Perceptions. Revisão sistemática com limitações pela qualidade dos estudos disponíveis.

Soft Tissue Facial Changes Following Massive Weight Loss Secondary to Medical and Surgical Bariatric Interventions: A Systematic Review. Revisão de alterações faciais após emagrecimento médico e cirúrgico.

Microfocused Ultrasound With Visualization (MFU-V) Effectiveness and Safety: A Systematic Review and Meta-Analysis. Evidência geral de ultrassom com visualização; não deve ser extrapolada como prova de eficácia de todos os aparelhos em usuários de GLP-1.

Carbon Dioxide Laser Rejuvenation of the Facial Skin. Fundamentação geral sobre laser CO₂; não é estudo específico de tratamento após GLP-1.

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